• 2 latas de leite condensado
• 3 ovos
• 1 colher e meia de margarina light
• 2 meninos correndo atrás da bola
• 400 ml de lembranças tristes
• 1 copo e meio de leite
• 4 maçãs (podem ser substituídas por 2 Brancas de Neve)
• 1 elefante graúdo
Modo de fazer:
1. bata os ovos com o leite condensado e vá adicionando lentamente as lembranças tristes, até que elas desapareçam por completo na mistura e que você nem saiba mais sobre o que se tratava. Reserve;
2. dê as maças aos meninos, duas para cada um. Caso decida substituí-las palas Brancas de Neve, não se esqueça de fornecer preservativos. Assim que eles esquecerem das bolas que perseguiam, junte-as suavemente ao leite e à margarina light;
3. coloque numa forma untada a primeira mistura, o elefante, e por fim, a segunda;
4. leve ao forno pré aquecido por cerca de 1 hora.
Sirva quente.
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terça-feira, 10 de agosto de 2010
quinta-feira, 5 de março de 2009
Sua casa e seu navio
E atrás da última porta só pode estar o monstro.
Ele é belo, mas destrói todos os sonhos em que toca. Vai mudar seu passado, perverter tudo de bom que já lhe aconteceu. Poderia matá-lo ainda bebê, mas prefere que você passe por cada tormento, cada humilhação: a espinha no dia do baile e as traições de todos que amar.
E em frente à última porta fica o medo do monstro, como um vigia.
O medo do monstro que o persegue desde criança. Que o fez hesitar em todos os seus fracassos e perder todas as oportunidades da sua vida. O medo que você carrega nos ombros como um mundo.
O medo que é sua casa e seu navio.
Quando você chegar à última porta, você olhará para trás, mas o caminho não estará lá. Nunca esteve. Você vai se perder antes de chegar. Vai perder tudo.
O caminho que leva à última porta é papel e se desfaz sob seus passos molhados.
Quando você chegar à última porta, abrir ou não abrir será irrelevante. Você verá o vigia e ele não se importará com sua presença, talvez até o convide a experimentar a maçaneta. Quando você chegar à última porta, você estará do outro lado dela.
Você será belo, mas vai destruir todos os sonhos em que tocar.
Ele é belo, mas destrói todos os sonhos em que toca. Vai mudar seu passado, perverter tudo de bom que já lhe aconteceu. Poderia matá-lo ainda bebê, mas prefere que você passe por cada tormento, cada humilhação: a espinha no dia do baile e as traições de todos que amar.
E em frente à última porta fica o medo do monstro, como um vigia.
O medo do monstro que o persegue desde criança. Que o fez hesitar em todos os seus fracassos e perder todas as oportunidades da sua vida. O medo que você carrega nos ombros como um mundo.
O medo que é sua casa e seu navio.
Quando você chegar à última porta, você olhará para trás, mas o caminho não estará lá. Nunca esteve. Você vai se perder antes de chegar. Vai perder tudo.
O caminho que leva à última porta é papel e se desfaz sob seus passos molhados.
Quando você chegar à última porta, abrir ou não abrir será irrelevante. Você verá o vigia e ele não se importará com sua presença, talvez até o convide a experimentar a maçaneta. Quando você chegar à última porta, você estará do outro lado dela.
Você será belo, mas vai destruir todos os sonhos em que tocar.
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Profecia
Cheguei na porta do boteco com medo, mas joguei-o do lado de fora e a abri, como quem não tem mais nada a perder. Eu não tinha.
Ele iria me destruir. Estava escrito e ele queria. Deus, quase que eu queria àquelas alturas.
Entrei naquele espaço imundo e abafado, cheirando a cigarro e suor. Trouxe comigo um resto do frio da noite que sumiu antes de a porta fechar.
Ele estava exatamente onde eu o havia deixado.
Caído sobre a mesa, um envelope rasgado às pressas. Ao lado, um pedaço de papel: os resultados do exame, minha sentença de morte.
Ele iria me destruir. Estava escrito e ele queria. Deus, quase que eu queria àquelas alturas.
Entrei naquele espaço imundo e abafado, cheirando a cigarro e suor. Trouxe comigo um resto do frio da noite que sumiu antes de a porta fechar.
Ele estava exatamente onde eu o havia deixado.
Caído sobre a mesa, um envelope rasgado às pressas. Ao lado, um pedaço de papel: os resultados do exame, minha sentença de morte.
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
Volta
Ela vai. Sem luzes ou sombras, funerais ou balões. Vai dar as costas e sair, assim, um passo e depois outro. Deixa lembranças e beijos, cartões e um ou dois ressentimentos.
O mármore de seus pés vai desprender algum pó, que talvez continue aqui por muito tempo, infiltrado entre as frestas, os dedos ou entre minhas idéias e fantasias.
Os seus desejos, líquidos, por outro lado, jamais se misturarão a nada. Permanecerão contidos para sempre e irão embora com ela: seus jarros, copos e conta-gotas.
Vai vestida em flores, em sol quente e tarde febril. Suas espadas fora das bainhas, suas flechas na aljava. Ela estará com as armas em punho, como sempre esteve. Seus olhos, sorrisos, sua paixão inocente, em punho. Ela estará pronta para outra guerra.
Eu estarei aqui, caído. Esperando o fim ou, quem sabe com sorte, sua volta.
O mármore de seus pés vai desprender algum pó, que talvez continue aqui por muito tempo, infiltrado entre as frestas, os dedos ou entre minhas idéias e fantasias.
Os seus desejos, líquidos, por outro lado, jamais se misturarão a nada. Permanecerão contidos para sempre e irão embora com ela: seus jarros, copos e conta-gotas.
Vai vestida em flores, em sol quente e tarde febril. Suas espadas fora das bainhas, suas flechas na aljava. Ela estará com as armas em punho, como sempre esteve. Seus olhos, sorrisos, sua paixão inocente, em punho. Ela estará pronta para outra guerra.
Eu estarei aqui, caído. Esperando o fim ou, quem sabe com sorte, sua volta.
sexta-feira, 1 de agosto de 2008
Purgatório
Quando me virei para frente, percebi que mais da metade das pessoas tinha ido embora. Pensei em ir também, mas não podia abandonar minha própria palestra. Continuei falando enquanto todos saíam e a sala ficava às moscas.
Assim que a última delas se levantou, quase me calei, mas percebi duas velhinhas no fundo da sala, constrangidas demais para deixarem-me ali.
E eu não podia parar. Continuei, enquanto as duas esperavam que a palestra mais chata de todos os tempos terminasse.
Ela jamais terminaria.
Assim que a última delas se levantou, quase me calei, mas percebi duas velhinhas no fundo da sala, constrangidas demais para deixarem-me ali.
E eu não podia parar. Continuei, enquanto as duas esperavam que a palestra mais chata de todos os tempos terminasse.
Ela jamais terminaria.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Novo blog
Ele abriu o blogger e começou a digitar. Letra antes de vírgula atrás de espaço. Foi digitando o que vinha e nem viu, todo dedos e orelhas. Como se um Tiago pudesse se exibir assim, no meio daquela internet cheia de gente olhando.
Depois ele pulou uma linha, pensou um pouco e resolveu parar com aquela bobagem. Mudou de idéia no mesmo parágrafo. Por que ele era sempre tão indeciso? Talvez nem fosse.
E foi só quando chegou ao terceiro parágrafo daquele post estranho que notou a incrível semelhança com sua vida: aquele mundo todo cinzinha com bordas brancas em que vivia, as letras pretas que descreviam tudo, as imagens precisas, os pequenos títulos antes de cada acontecimento de sua vida, com data e assinatura, os links para comentários no rodapé de seus dias. Isso explicava aquela verossimilhança absurda que sempre lhe perseguiu.
Estava claro: ele vivia em um blog!
Depois ele pulou uma linha, pensou um pouco e resolveu parar com aquela bobagem. Mudou de idéia no mesmo parágrafo. Por que ele era sempre tão indeciso? Talvez nem fosse.
E foi só quando chegou ao terceiro parágrafo daquele post estranho que notou a incrível semelhança com sua vida: aquele mundo todo cinzinha com bordas brancas em que vivia, as letras pretas que descreviam tudo, as imagens precisas, os pequenos títulos antes de cada acontecimento de sua vida, com data e assinatura, os links para comentários no rodapé de seus dias. Isso explicava aquela verossimilhança absurda que sempre lhe perseguiu.
Estava claro: ele vivia em um blog!
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